LUCRAR COM… TAP – II;

LUCRAR COM… TAP – II
Devido a forte concorrência do setor, fazer voar passageiros por empresa de bandeira é pouco ou nada lucrativo. O lucro está em combiná-lo com carga, fidelizar clientes e em padronizar o tipo de aeronaves usadas.
Alguns custos devem ser evitados, o que exige o OK dos sindicatos. P.ex, a SAS deixou de voar para o Brasil, numa rota que dava lucro, quando, prevendo futuros aumentos no combustível, quis reduzir de 3 para 2 no cockpit e o sindicato travou. Resultado: centenas de despedidas, menos aviões, menos rotas, outro foco, mais lucro. Tempos depois, outra empresa nórdica explorou a rota apenas turística para o Nordeste do Brasil num voo de 11hs, onde a tripulação que ia voltava como passageiros. Resultado: bons lucros. Expandiu! Ali o sindicato foi acessível.
O controlo e a manutenção das aeronaves modernas são caros, mas o seu custo varia muito. Na UE esses profissionais pressionam os salários, como os pilotos. A Ryan Air lucrou e expandiu ao padronizar aviões, manutenção, stock de peças e oferecer salários razoáveis. O grande trabalho é noturno, e usa mais a frota durante o dia.
Há muitos jovens que desejam trabalhar a bordo das companhias aéreas. A Ryan Air e outras que mostram lucros aceitam-nos por salários limitados até que provem a sua habilidade em cativar clientes.
Em voos intercontinentais um bom relacionamento com as empresas locais de logística pode ser o elo que traz lucro. Pois vender uns 90 lugares a preço de custo pode limitar a qualidade no atendimento e desfidelizar o cliente. O que parece ter havido com a TAP. Onde o peso da carga compensa o de passageiros, o lucro é maior.
Portugal tem uma invejável posição geoestratégica para a carga da América do Sul, Caribe e África Ocidental, a caminho das centenas de aeroportos da UE, a partir de Lisboa. Mas, para voos exclusivos de carga a pista de Beja é ideal, só precisando de um hangar para a armazenagem do que não segue no mesmo dia. Isto facilitaria a exportação de produtos agrícolas e agroindustriais do Riba/Alentejo.
Esses estudos foram feitos quando da privatização da TAP. Mas não foram usados em pleno. Grande parte deles seriam úteis hoje, outros devem ser atualizados. Na administração privada o marketing usado foi transferido para a TAP sem considerar que os valores na UE são distintos do Brasil. Para competir em preço, a TAP perdeu qualidade e assim parte dos clientes fiéis foram trocar o avião em Madrid e até Londres, a caminho da África ou América do Sul.
A TAP não precisa de muito capital, mas de administradores competentes e um ministro que aceite medidas duras hoje, para obter lucro amanhã.
YES, WE CAN! TAP A LUCRAR!
Jack Soifer, 07/01/2021
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